sexta-feira, 13 de março de 2015

A Carta da Terra e a construção de uma sociedade parra a sustentabilidade e justiça social.

Um texto é primoroso e nos provoca a responder a seguinte questão: como posso contribuir para a construção de uma sociedade melhor?
E eu respondo como uma pergunta: trabalhando os princípios da Carta da Terra como os nossos alunos para reafirmar que outra realidade é possível construir a partir da sustentabilidade, respeito a todas as formas de vida, os patrimônios natural, cultural e realizar a  inclusão social?  

 

 Deveríamos fazer valer a CARTA DA TERRA aos nossos alunos:
ü  Respeitar e cuidar da comunidade de vida;
ü  Respeitar a Terra e a vida com toda a sua diversidade;
ü  Cuidar da comunidade de vida com compreensão, compaixão e amor;
construir sociedades democráticas, justas, sustentáveis, participativas e pacíficas;
ü  Assegurar a riqueza e a beleza da Terra às gerações futuras.
ü  Integridade ecológica
ü  Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação com a diversidade biológica e com os processos naturais que enriquecem a vida;
ü  Prevenir o dano ao ambiente como melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho da prudência;
ü  Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário;
ü   Aprofundar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e ampla aplicação do conhecimento adquirido.
ü  Justiça social e econômica
ü  Erradicar a pobreza, como um imperativo ético, social, econômico e ambiental;
ü  Garantir que as atividades econômicas e instituições, em todos os níveis, promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável;
ü  Afirmar a igualdade e a equidade de gênero como requisitos ao desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, ao cuidado da saúde e às oportunidades econômicas;
ü  Apoiar, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, dando especial atenção aos povos indígenas e às minorias.
Nessa linha de pensamento, entendo que a  referência sobre a Carta da Terra é muito pertinente para a  discussão nesse fórum. E por isso trago aqui algumas reflexões sobre a urgência de um ethos mundial que precisamos desenvolver no processo educacional tendo como referência o grande pensador e intelectual Leonardo Boff.
Para Boff, para efetivação de uma ética planetária três problemas suscitam o despertar coletivo da humanidade: a crise social, a crise do sistema de trabalho e a crise ecológica, todas de dimensões planetárias.
Neste sentido, entendo que as crises que sociedade do século XXI está passando é uma crise da própria civilização humana. Como viver com todas as oportunidades do mundo em meio ao oceano de miséria, da degradação social e também ambiental?
Sobre a crise social somos conhecedores dos indicadores, da miséria planetária, principalmente de nosso país, quando a cada 10 brasileiros, um está na miséria absoluta (dados do IPEA). E quando pensamos no desenvolvimento da tecnologia da medicina e outras invenções que melhoraram a vida de poucos de um lado, mas que aprofundaram o fosso existente entre ricos e pobres..
Como diz Boff, estruturou-se no mundo um tipo de humanidade opulenta nos países centrais que controla todos os processos científicos-técnicos-econômicos e que fazem guerras para defender estes oásis em meio ao oceano de misérias em que vivem os países periféricos. Como entender, por exemplo, as guerras no Iraque, Afeganistão, Líbia, por exemplo? Quem criou estas autocracias no Oriente Médio e norte da África? A quem interessa estas ditaduras obscenas nesta parte do mundo, aquinhoada de petróleo e outros combustíveis fósseis?
Pelo visto, os americanos colocaram em prática suas estratégias para não passar o sufoco que passaram durante a crise do petróleo no início dos anos 70 que sufocaram a sua economia.
Boff também fala sobre a crise do sistema de trabalho - com as novas formas de produção automatizadas  que dispensaram o trabalho humano, gerando assim mais miséria e famílias abandonadas e descartáveis à própria sorte. É possível haver desenvolvimento sem trabalho?
Por fim vemos a Crise Ecológica - principalmente nesta primeira década do século XXI, quando a humanidade está em grande discussão sobre os efeitos das mudanças climáticas no planeta, principalmente nas regiões mais vulneráveis.
O que importante colocar colegas, é que precisamos vivenciar a Carta da Terra com um novo mandamento no sentido de buscarmos o desenvolvimento humano pleno e contribuir para a construção de uma sociedade melhor.
Sem combater a desigualdade social a tecnologia e os avanços das ciências não têm sentido algum.  O que importa entender é que este modo de existência humana irresponsável, nas palavras de Boff, produziu danos irreparáveis à biosfera e a condições de vida dos seres humanos na terra. Neste sentido, concordando com Boff, vivemos uma grave ameaça de desequilíbrio ecológico em nossa biosfera.
Nesta linha de pensamento, analisando os eventos extremos deste início de década, está  a terra buscando novo equilíbrio que poderá acarretar uma devastação fantástica de vidas?
Diante destas reflexões, o Boff nos convida para que buscarmos novos caminhos caminhados no sentido que é possível fazer uma revolução em nossa existência no planeta,  tendo em vista que a principal causa da sociedade moderna está na organização no acesso, na produção e na distribuição de bens da natureza e da cultura, onde as minorias detêm o poder, o ter e o saber sobre as maiorias.

A questão ambiental está na relação homem-natureza, uma relação de domínio, da falta de cuidado e do reconhecimento da alteridade e isso implica da destruição da aliança harmônica entre os seres humanos e a natureza.
Neste sentido, para conservar o patrimônio natural e cultural acumulados é preciso mudar, mudar o paradigma civilizatório, de reinventarmos as nossas relações com a maior colaboração entre os povos, culturas e religiões no sentido de conservarmos a sustentabilidade de realizar o projeto humano, aberto para o futuro e para infinito segundo Boff.
E as bases para mudanças devem ter um ética mínima que possam abrir possibilidades de solução e salvação da Terra , da humanidade e da falta de trabalho, com responsabilidade social e ecológica, fundamentadas na solidariedade e atitudes capazes de sensibilizar as pessoas para uma nova prática histórico-social libertadora.
Neste sentido,é imperativo perguntar: o que podemos fazer na escola? Qual o sentido verdadeiro de nosso trabalho como professor e educador? Como estamos formando os futuros profissionais? Estamos preocupados com a nossa pedagogia para o aprender a ser e conviver?
Segundo Boff, é preciso pensar um novo ethos nos tempos de globalização, ou seja, desenvolvermos um conjunto de valores, de princípios que possam balizar o nosso trabalho de educadores, as nossas relações humanas com a natureza, para com a sociedade, conosco.
Para isso, é preciso um mergulho em nosso ser. E por isso, estamos aqui debatendo Estado x Sociedade nessa unidade de estudo. E como melhorar a nossa atuação de educadores no sentido de formar o cidadão que este país precisa, não só o nosso país, mas construir o cidadão planetário conectado com a vida e no combate às todas as formas de injustiças e desigualdades sociais. Abraços.
Referência: Urgência um ethos mundial: o ethos mundial que precisamos.



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